O que acontece com a criatividade quando crescemos?

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O que acontece com a criatividade quando crescemos?



Quem tem a oportunidade de conviver com crianças com certeza já ouviu pelo menos algumas de suas conclusões e explicações malucas sobre isso ou aquilo. Malucas claro apenas para os “tios’ e as “tias”, porque para os pequenos a sua visão do mundo faz muito mais sentido do que as velhas convicções chatas e sem graça.


Para aqueles que não tem experiência com crianças, vou compartilhar uma história contada por Alison Gopnik e Tom Griffiths em seu texto sobre ‘‘O que acontece com a criatividade quando envelhecemos?’’ do The New York Times. Gopnik conta que o Augie, uma criança de 4 anos de sua família, um dia ouviu o avô dizer que gostaria de voltar a ser criança. Augie com toda sua criatividade pensou em uma solução para ajudar o seu avô: Pare de comer verduras! Mas é claro, se quando criança precisamos comer brócolis e espinafre para ficar forte e crescer, talvez parar de comê-los inverta o processo.


É baseado em divertidos casos cotidianos como esses, e em várias pesquisas, como a de George Land e Beth Jarman, de 1980, baseada em testes usados pela NASA, ou mesmo nos experimentos de Alison e Tom publicados na PNAS, que todos nós podemos concordar que as crianças são incrivelmente mais criativas do que os adultos. Agora, por que a criatividade tende a diminuir conforme nós crescemos?


Uma das possíveis explicações dadas por Alison e Tom gira em torno do conhecimento que vamos acumulando ao longo dos anos - quanto mais velhos ficamos, mais nós sabemos. Porém, isso pode não ser 100% benéfico, pois quando temos mais informação tendemos a formar opiniões fechadas, e ignorar tudo que contradiz o que pensamos ser o verdadeiro ou o mais “correto” - vamos ficando engessados.


Todas as vezes que precisamos encontrar uma solução para um problema nós tendemos a buscar dentro do conhecimento que nós já temos, consultamos a nossa base de dados interna para achar rapidamente uma solução, que já vimos ou já usamos antes, que a gente consiga fazer funcionar com o problema atual - vamos direto para o óbvio e prático. Porém, as crianças, em parte por elas ainda não terem tanto conhecimento acumulado, realmente exploram o problema e as suas possíveis soluções, eles criam algo novo, buscam informações diferentes das que eles já têm, e geralmente produzem uma solução totalmente nova e diferente. Claro que também existem pontos negativos para essa forma exploradora de pensar, pois podemos acabar perdendo tempo contemplando soluções impossíveis de serem colocadas em prática ou que simplesmente deem errado, algo que as crianças fazem bastante.


Portanto, podemos dizer que é realmente mais fácil para uma criança ser criativa do que um adulto, juntando a sua imaginação a mil e a falta de bagagem, eles conseguem chegar a soluções diferentes e inovadoras brincando! (literalmente).

Criatividade não é uma inspiração divina, é um trabalho consciente de acessar o conhecimento que temos para extrair algumas informações pontuais - como o que você já sabe que não funciona para resolver x problema - e agregar a uma exploração de novos conhecimentos e testes, por mais malucos e não convencionais que sejam.


E ai, quem está pronto para voltar a ser criança?


Camila Avelar

Analista de Comunicação

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